Qualidade dos Orgânicos - A Grande Diferença

Soja pode atuar como remédio

Efeitos benéficos das isoflavonas de soja em doencas crônicas

Gordura vegetal eleva níveis de colesterol presentes em alimentos industrializados

O que acontece quando você compra produtos orgânicos

Soja faz bem ao coração, atesta FDA

Soja pode atuar como remédio
Fonte: Embrapa e Assessoria
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A soja chega ao terceiro milênio como uma das mais importantes "commodities" agrícolas do mercado e ainda está sendo reconhecida como alimento funcional. Isso significa que a soja pode colaborar na melhoria da saúde e da qualidade de vida. O tema foi amplamente debatido no I Simpósio Brasileiro sobre os Benefícios da Soja para a Saúde Humana, promovido em abril pela Embrapa Soja.

A presidente do comitê organizador, Mercedes Carrão- Panizzi, pesquisadora da Embrapa Soja, diz que a soja é um dos vegetais com melhor potencial para a alimentação humana, por conter alto teor de proteína de boa qualidade. "Além de colaborar na melhoria nutricional da dieta dos brasileiros, o consumo da leguminosa pode reduzir e controlar os níveis do colesterol, prevenir vários tipos de câncer e amenizar os sintomas da menopausa".

Nos últimos anos, vários estudos vêm evidenciando os benefícios da soja na prevenção de doenças crônico-degenerativas. No Simpósio, o diretor do Departamento de Pediatria da Universidade de Cincinnati, (EUA), Kenneth Setchell, líder na área de pesquisa de fitoestrógenos, (hormônio vegetal), mostrou que a soja pode controlar muitas doenças, nos quais haja dependência de hormônios (como o câncer de mama e a menopausa).

Setchell enfatizou que a soja pode prevenir as doenças coronarianas, uma das principais causas de morte no mundo. "O ideal seria consumir soja diariamente, seguindo o exemplo dos japoneses. Eles ingerem cerca de 8 gramas de soja todos os dias e possuem baixos níveis de colesterol".

Durante o Simpósio, o professor Maurice Bennink, do Departamento de Ciências de Tratamento e Nutrição Humana, da Michigan State University (EUA), apresentou resultados mostrando que o consumo de soja pode reduzir o risco de desenvolvimento de câncer de cólon.

Segundo ele, nos ratos que tiveram câncer induzido e foram alimentados com dieta à base de soja, houve diminuição do aparecimento de tumores. Em grupos humanos, a constatação também foi similar. "O consumo diário de soja pode reduzir em 70% os índices de câncer de próstata".

O professor Chigen Tsukamoto, da Faculdade de Agricultura da Universidade de Iwate, no Japão, abordou a composição, a concentração e as características de isoflanovas na soja, composto biologicamente ativo e que possui funções terapêuticas. O cientista mostrou resultados de trabalhos, nos quais foram utilizados mecanismos para aumentar o teor de isoflavona nas variedades de soja, o que amplia o potencial terapêutico dos grãos de soja. "O consumo diário de soja é um fator chave para a promoção da saúde e conquista de vida longa", garante.

Outro destaque do evento foi o médico Álvaro Armando Carvalho, professor da Escola de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de Vitória (ES). O médico estuda a utilização de soja na nutrição enteral, por sonda, em pacientes que não conseguem se alimentar normalmente. Segundo ele, a mistura de soja , mel, óleo, sal, água e coco tem ajudado a nutrir adequadamente os pacientes. "O valor biológico da proteína de soja é o mesmo que o da carne, com a vantagem de ser mais barata".

Durante o Simpósio, o ginecologista Kyung Koo Han, da Escola Paulista de Medicina, USP/SP, apresentou dados de seu estudo com mulheres que apresentavam sintomas clínicos e laboratoriais de climatério. As pacientes foram subdivididas em dois grupos, sendo que o primeiro recebeu doses diárias de 100 mg de isoflavona e o segundo grupo recebeu apenas placebo. "Com relação aos sintomas de menopausa avaliados, 80% das mulheres que ingeriram capsulas de isoflavona melhoraram, enquanto que no outro grupo, apenas 12,5% apresentaram resultados positivos", afirma.

Soja é Saúde

Muitos países do mundo estudam a soja como um produto capaz de prevenir uma série de doenças, além de reabilitar doentes. Congressos médicos mundiais já incluem a soja em suas pautas de discussões e sinalizam a soja como sinônimo de saúde.

Pesquisas do mundo inteiro já confirmaram: as dietas ricas em fibras e com baixos teores de gordura saturada, aliadas a exercícios físicos a e um estilo de vida saudável, podem auxiliar no controle da obesidade e proteger contra doenças cardiovasculares, câncer, osteoporose e diabetes.

Inúmeras pesquisas realizadas pela área médica no Japão, China, Estados Unidos e Europa comprovam cientificamente os benefícios da soja na prevenção de doenças crônicas como:

Colesterol

Os altos níveis de colesterol sangüíneo e do LDL-colesterol estão associados a doenças cardiovasculares, como o infarto do miocárdio e a arteriosclerose. Pesquisas da American Heart Association -AHA (Associação Americana do Coração) têm demonstrado que a ingestão de proteínas de soja reduz as taxas de LDL-colesterol. Pacientes acompanhados durante quatro semanas, por médicos da AHA, que tiveram a adição de proteínas de soja nas suas dietas - sem outra alteração - apresentaram uma redução nos níveis de LDL-colesterol em torno de 33%. Assim, a introdução de pequena quantidade de proteína de soja na dieta diária, cerca de 20g que eqüivalem a 50 g de grãos, é suficiente para deixar seu sangue e seu coração em forma.

Prevenção do câncer

Os grãos de soja contêm um composto singular denominado genisteína, também chamado de fitoestrógeno ou hormônio vegetal, que possui uma ação estrogênica moderada, que atua na prevenção de câncer relacionado com o estrogênio. Pesquisas realizadas no Japão, Estados Unidos e Europa têm mostrado que a ingestão diária de alimentos à base de soja, como tofu (queijo de soja), missô, natto e tempeh (especialidades da cozinha oriental) reduz os riscos de câncer de mama e próstata em 50%.

A soja e seus derivados também possuem uma ação preventiva quanto aos canceres de cólon, reto, estômago e pulmão. Para que os tumores aumentem seu tamanho, é necessário o desenvolvimento de novos vasos sangüíneos. O bloqueio desse processo é visto como uma maneira potencialmente importante para controlar o câncer. A genisteína também inibe a formação desses vasos e, consequentemente, o desenvolvimento dos tumores cancerígenos.

Osteoporose

Com o envelhecimento, as pessoas perdem cálcio, o que resulta, muitas vezes, em osteoporose. Na menopausa, esse processo se agrava com a deficiência hormonal ovariana. Devido sua ação estrogênica, a genisteína da soja pode manter a estrutura óssea. Exames de densiometria óssea comprovam que o consumo de soja retarda a osteoporose decorrente da idade, como também reduz significativamente a perda óssea total.

Reposição Hormonal

Isoflavona é uma nova terapia de reposição hormonal, eficaz no alívio dos sintomas da menopausa. Quando a mulher entra na menopausa, há uma redução significativa do hormônio estradiol. Isso provoca alteração da elasticidade dos vasos sangüíneos e degeneração progressiva dos tecidos acarretando sintomas como ondas de calor, suor excessivo, insônia e irritação. Isoflavona é assimilado pelo organismo humano da mesma forma que o estrógeno, com a vantagem de não apresentar efeitos colaterais.

Doença de Alzheimer

O tratamento da doença de Alzheimer (DA) com o uso de hormônios de esteróides, como o estrógeno, tem sido associado à diminuição das incidências desta doença. Entretanto, o mecanismo de ação pelo qual o uso de estrógeno previne e trata a doença de Alzheimer ainda é pouco conhecido. O efeito antioxidante, interações imunológicas, aumento dos níveis de apolipoproteína E e alterações dos processo precursor de proteína amilóide têm sido atribuídos a possível influência de estrógeno na cascata de DA. Existem ainda evidências que mostram que o estrógeno funciona como moulador de fator de crescimento neurônio cerebral, atribuindo o potencial do estrógeno para o tratamento da DA.

A perda de neurônios colinérgicos basais que ocorre durante a progressão da DA é um fenômeno bem documentado. Os grupos de células colinérgicas inervam diversas regiões do cérebro, como o córtex cerebral, sistema límbico associado com a região de hipocampo e corpo amigdalóide. As regiões pré-citadas são importantes para o funcionamento normal do aprendizado, memória e atenção. Acredita-se que a degeneração dos neurônios colinérgicos seja a causa da progressão das degenerações das funções cognitivas da DA. Todos os tratamentos que aumentam a sobrevida dos neurônios podem potencialmente retardar a progressão da DA. A substância que retarda a degeneração destes neurônios colinérgicos em modelos animais foi identificada e é denominada de fator de Crescimento Nural (FCN).

O estrógeno influencia a expressão de certos genes para a produção de FCN. Se os estrógenos podem atuar neste processo acredita-se que algumas substâncias, como fitoestrógenos, também possam atuar nos pacientes com a DA, retardando e tratando-a.
As isoflavonas são membros de uma família polifenólica de uma larga classe de compostos sintetizados por plantas e têm estruturas químicas similares aos estrôgenos fisiológicos e sintéticos. A soja contém duas isoflavonas em maior quantidade, a genisteína e a daidzeína e, em menor quantidade, a gliciteína.

Diabetes e outras doenças

As fibras de soja exercem importante papel na regulação dos níveis de glicose no sangue, pois retardam sua absorção. Essa redução na velocidade de absorção da glicose auxilia no controle de diabetes. Há evidências de que o consumo da soja tem efeito positivo no controle de outras doenças como hipertensão, litíase (cálculos biliares) e doenças renais.